quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A questão do espaço público.



O espaço público é o que deveria funcionar como aquele lugar que seja de uso comum e posse de todos. O espaço público , como local livre tem a condição de atividades coletivas, com convívio e trocas entre os grupos compõem a sociedade.

A rua é considerada o espaço público por excelência. Sendo o elemento articulador das localidades e da mobilidade, pode ser considerada a formadora da estrutura urbana e de sua representação. De acordo com Kevin Lynch , também é o local principal em que se forma a imagem da cidade, já que é por ela que os habitantes transitam e tem a oportunidade de observá-la e entendê-la. Será que esse é o ponto que se sustentam as atitudes citadas em outras postagens como as medidas na china e em BH?

Nas cidades grandes, a superpopulação, a vida acelerada pelos horários apertados, pelas distâncias, pelo trânsito congestionado, tornam a vida tediosa e cansativa. Procuramos a paz em locadoras de vídeo, em poltronas isoladas de cinemas, em fundos de restaurantes e sempre se acaba tendo que ir dormir para acordar cedo no dia seguinte para mais uma maratona de muitos contatos com os outros e poucos contatos consigo mesmo. É nesse meio que o outro índividuo, no caso o morador de rua passa despercebido, já mesclado ao lixo urbano , como se fossem um só ( Assim como sugere a imagem do fundo deste Blog ) e não há espaço para o sentimento, a solidariedade, o “amar o próximo”.
O que acontece é que hoje os espaços são privados e os que seriam ditos como públicos possuem ao estado que não da liberdade ou autonomia nenhuma a população, a questão é a seguinte: Se eu não tenho condição de sustentar uma casa e vou morar na rua, e me tiram da rua ou dificultam a minha vida lá, para onde que eu vou?




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Moradores de rua e o Fato Social


O fato social, segundo Durkheim, consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem poder de coerção sobre o indivíduo.Podemos então considerar que a pobreza, que leva pessoas a morarem na rua é um fato social?
Para responder essa pergunta, devemos analisar a problemática dos moradores de rua a partir das características citadas por Durkheim para identificar os fatos sociais:

1) Exterioridade: Nas mais diversas sociedades existem moradores de rua, independente do que as pessoas pensam sobre a existência deles. Eles continuarão a existir independente do que o governo pense, eu ou você. Portanto esse fato é exterior aos indivíduos da sociedade, é um problema que existe independente da nossa vontade

2) Generalidade: A situação das pessoas que moram na rua é um fato existente para coletividade, essa é uma realidade presente nas mais diversas sociedade há muito tempo. Em qualquer lugar do mundo, mesmo que em proporção e motivação diferente, existem moradores de rua, não é um problema de 1 ou 2 nações.

3)Coercitividade: Essa característica tem relação com o poder dos padrões culturais em que as pessoas se integram. A força desses padrões os obrigam a cumpri-los. O Medo, a repulsa, a omissão em questão a se sensibilizar com a situação dos moradores de rua é sim um padrão cultural.  







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sábado, 26 de outubro de 2013

A Margem

Viver a margem, viver a beira das incertezas e mesmo assim, viver. A pobreza é um problema que existe a longos anos e a cada ano vão sendo coisas superficiais que só resolvem os problemas por pouquíssimo tempo. Como se fossem um tipo de maquiagem, onde com o passar do tempo já não estão mais fazendo algum efeito.      Com o surgimento da sociedade capitalista, a divisão entre o rico e o pobre ficou cada vez mais visível no mundo, hoje esta situação de pobreza é vista como algo um tanto "comum", sendo que o começo da desse estilo de sociedade só fez consolidar o que já existia. Isso no Brasil, já faz parte da cultura do país, tratar a pobreza como algo natural, se tornou algo cultural dentro da sociedade. O mundo têm passado por inúmeros avanços, ainda é normal ver pessoas que precisam dar um jeito para sobreviver,  sustentar suas famílias, pedindo esmolas, sendo vendedores ambulantes ou até mesmo roubando. Essas são pessoas que não têm nenhum tipo de escolaridade, o que torna impossível de conseguir um emprego digno que garanta o seu pão de cada dia, essas pessoas ficam a mercê de um governo que está mais preocupado com coisas banais do que com o futuro de uma sociedade pobre. O Brasil é marcado por fazer coisas superficiais para dar assistências aos mais precisados, como exemplo temos os moradores de rua, que não recebem umas devida atenção, assim ficam jogados em calçadas, viadutos, sem esperanças de dias melhores. Podemos perceber histórias completamente diferentes nas ruas, pessoas que um dia já tiveram tudo e hoje não têm absolutamente nada, e o mais incrível de tudo é que estão sempre sorrindo sem perder o senso de humor, não deixando que a situação que estão vivendo no momento tire a felicidade de viver. O governo tenta ajudar, mais ainda é muito pouco, pois o número de moradores de rua é muito grande e dar assistência devida a todos acaba sendo complicado. Muitas dessas pessoas estão completamente desintegradas n sociedade, como se vivessem em outro mundo, sem nenhum tipo de identidade formada. Estar nas ruas em situações extremamente precárias, só leva a esses moradores a se tornarem viciados em drogas e em bebidas alcoólicas, o que torna mais difícil fazer algo mais preciso para esses moradores. Saber olhar com atenção para essas pessoas já é um começo para tentar ajudar da melhor forma possível.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

POBREZA POR POBREZA

“Pobreza”. Hoje, o termo “pobreza” pode se ser utilizada de diversas formas e intenções, desde uma situação financeira precária passageira à conduta e personalidade de um ser, como no caso, no dito “pobre de espírito”. Fato é, que pobreza significa a falta de algo, ou ausência total do que é comum e básico para a sociedade real. “Real”, pois neste sentido, a partir do momento que este grupo é tido como diferente e desmerecedor de atenção e preocupação do demais (principalmente, no tipo que está sendo estudado neste blog), mesmo que dentro de uma generalidade que representa a situação coletiva da pobreza, ele se torna excluído pela sociedade geral, ainda que faça parte da mesma, tendo apenas, realmente, a visão de quem vive à margem.
Para este estudo, leva-se em conta a pobreza de meios financeiros, que, atualmente, é um grave fato social na cidade de Salvador,  que tem 3,2 mil moradores de ruas que vivem em situações abaixo do essencial, sem condições de arcar com meios básicos de sobrevivência como comida, água e higienização, sendo muitas vezes obrigado a viver nas ruas, sofrendo ainda pela grande exposição, gerando violência e abusos. Nos grupos de moradores de ruas, vulgos “mendigos”, há casos especiais, no qual a razão por sua situação foram causadas por motivos adversos como falência na carreira profissional, uso abusivo de drogas e doenças psicológicas, fazendo com que se afastassem da sua vida anterior, da sociedade, e posteriormente, fossem obrigados a viverem esta nova realidade. Assim, entrando num novo processo de socialização deste novo grupo, que caracteriza a consciencialização dessa nova estrutura social em que se envolve. Porém, a maior parte destes moradores não tiveram mínima interferência para chegar a este estado, vivendo nas ruas e convivendo com a pobreza sua vida inteira, perpetuando este condição por suas gerações, sem culpa por isso, caracterizado pela exterioridade ao seu individuo e independente de sua consciência. E de quem é essa culpa? Segundo Karl Marx, a miséria é um instrumento utilizado pelas classes dominantes para aumentar a desigualdade social e, consequentemente, manter seu poder. O que é evidente na sociedade soteropolitana, onde enquanto estas pessoas vivem estagnadas, sem oportunidade de evoluir e melhorar suas vidas, outras passam suas vidas entupidas de dinheiro, indiferente a realidade do próximo. Mas, os cidadãos são o reflexo dos seus políticos, que mascaram sua indiferença a esta questão social com políticas vazias que não cobrem ou mudam minimamente a realidade da pobreza. Esta classe, então, impõe de maneira coercitiva a cultura da indiferença com a pobreza, por não os atingirem diretamente.
            Mas o que fazer? Como ferramenta de organização e controle popular, o Governo deveria investir de forma efetiva em medidas que solucionassem este problema social. Não, teoricamente, apenas os alimentando, resolvendo temporariamente. É preciso criar oportunidades para que estas pessoas consigam se erguer, e perpetuar seu caminho, seja com empregos, educação. Fato é: precisa mudar. Vamos esperar.
 
 
Referências:
 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A forma de ver o mendigo é cultural?

Já é de senso comum entre a sociedade brasileira a leitura feita sobre os moradores de rua. São tidos como criminosos, preguiçosos, mal intencionados como se para todos que chegam a essa situação os motivos sejam os mesmos. Atitudes simples como recomendações as crianças: Não toque nele, não passe por perto dele. Formam a opinião e a leitura generalizada de que eles não prestam.Isso resulta nos adultos que passam e não enxergam o seu próprio semelhante ao lado, é como se já fizessem parte da própria rua. 

Se engana quem acha que existe somente uma classificação para os moradores de rua. O conceito de que: são aqueles que não tem onde morar é vago, existem outras definições. 
Posso citar 3 exemplos: Existem os que já nasceram nas ruas, existem os que vivem na rua por falta de recursos de se manter em uma moradia e ,por incrível que pareça, existem "falsos mendigos", pessoas que possuem moradia, porém dormem na rua, devido à impossibilidade de pagar por transporte público diário para retornar ao seu lar e também existem diversos casos de "mendigos profissionais", pessoas que escolheram a mendicância como forma de vida, por acharem mais fácil e lucrativo mendigar do que exercer um emprego normal 


No Brasil as medidas para se resolver o problema dos moradores de rua é no mínimo ineficiente , tendo em vista que pouquíssimas ações dão ao indivíduo condição de volta a vida normal. São medidas que apenas facilitam a sobrevivência ou da forma mais precária garantem que o morador de rua não morra.Medidas essas que não devolvem o individuo a sociedade, não lhe inserem dentro de uma realidade humana, para q possa se reafirmar e recuperar sua identidade cultural. Já é cultural no Brasil, a atitude de remediar e não resolver os problemas, facilmente vemos noticias de que em determinado Estado, determinado politico praticou uma ação de “higienização social” ou que moradores de rua têm sumido repentinamente. E também é cultural a opinião quase que generalizada de que realmente os moradores sujam a imagem das ruas. 


Nas grandes cidades brasileiras são recorrente noticias das práticas, que nem sempre respeitam os direitos humanos, usadas para "limpar a rua". Feitas pelo Estado ou até por criminosos que por vezes agrediram os moradores de rua. Governantes obrigam moradores a sair de uma localidade que só faz com que eles parem em outra e não resolvem a situação.
Na China , um método ainda mais invasivo foi utilizado sob os viadutos de Guangzhou e Shezhen . Foram construídos várias peças de cimento em forma de pirâmide pontiaguda por todo o chão do viaduto para evitar que os moradores de rua se instalem.







Cultura e Pobreza

Faaaala galera! Tudo sussa?! Cheguei aqui pra bater um papo sobre cultura e pobreza, assunto que o nosso grupo está debatendo aqui no blog. E tá até decente, cá pra "nóis"!
Mas falando sério, esse tipo de assunto não se pode tratar de forma arbitrária e livre não. Sabe porque? Por que viver num país como o nosso, com diversos tipos de culturas e a desigualdade social sendo escancarada, nos dá uma falsa ideia de que todos nós participamos da mesma cultura, do mesmo grupo. O que não é verdade, pois, quando se trata de pobreza, nós isolamos o fato como algo social e não como algo ruim para a sociedade. Por isso julgamos os estilos, gostos e ideais que fazem parte do contexto daquela região mais pobre. 
http://www.caoquefuma.com/2012/07/a-cultura-da-pobreza.html
A "sociedade" que vive nos locais mais periféricos, humildes e etc, criam um estilo de cultura própria para poder sobreviver naquele tipo de ambiente. Diversificando sempre e continuamente em cada região uma nova característica e estilo. Em algumas das vezes, esses estilos(como venho tratando relacionando à cultura), se sobressaem e chegam a um nível mais alto, participando generalizadamente do contexto brasileiro. A música, a dança, o folclore e a religião são alguns dos estilos/culturas que conseguem ser notados de forma direta pelas outras culturas regionais. A mídia também é culpada por caracterizar de modo errado essas culturas, esses estilos. O pobre excluído, o desdentado, a mulher feia, a violência, o favelado e suas culturas em si, se tornaram produtos nas mãos das mídias e industrias das mesmas, as quais patrocinam e incentivam a cultura da pobreza. 
Então, ao se falar de pobreza e cultura num mesmo tópico, temos obrigatoriamente que entender e interpretar, os contextos, os modos de vida e a região em que se encontram. 

Desigualdade Social: Pobreza e Cultura






DESIGUALDADE SOCIAL: POBREZA      




Quando falamos em desigualdade social e pobreza, pensamos logo em pessoas de baixa renda que malmente sobrevivem de um salário mínimo no máximo, e que moram em favelas na extrema pobreza. Só que não são apenas pessoas e sim centenas de pessoas, que não possuem moradia.


O crescimento da miséria concentra-se nos salários baixos, desemprego e principalmente a fome que atinge maior parte da população brasileira. Isso acaba levando o alto índice de pessoas morando nas ruas, mortalidade infantil, marginalidade e muita violência.


Karl Marx citava mais valia que “Não se recompensa o trabalho mas apenas se protege a integridade física do trabalhador. Não que esta preocupe os donos dos meios de produção, apenas se almeja que o trabalhador retorne no dia seguinte à lida.” O trabalho é ,portanto, bem menor e insignificante, para aqueles que se servem da cultura pobre.
A cultura dos pobres se constrói a partir do momento da procura interminável e do desamparo do silencioso deles. Transmite-se costumes com criatividade, sem a intervenção de veículos de mídia, mas através do mais importante dos mediadores: a solidariedade. o uso de laços familiares, a troca de bens dentro de redes de amizade, a procura de ajuda do Estado e de organizações privadas, mudanças de domicílio e comunidade.









E tem pessoas que reclamam do colchão, da cama, do lençol, do travesseiro...


Ao passar pelos centros das grandes cidades, é possível identificar cada vez mais que o número de moradores de rua esta aumentando, infelizmente essa é uma realidade constante em nossas vidas. Atualmente, nas ruas brasileiras vivem aproximadamente 1,8 milhões de pessoas, sendo elas: crianças, jovens, adultos e idosos que estão lá como última opção, e junto a eles estão os sonhos, o desemprego, a infelicidade, e a vontade de viver bem.
Muitos hoje são moradores de rua por diversos fatores como o desemprego, a desestrutura familiar, problemas psicológicos, distúrbios emocionais, abandono, entre outros. Encontram nas avenidas uma liberdade maior para fazerem o que quiserem em um mundo onde não haja compromissos nem cobranças; Essa é vida daqueles que vivem sem ter o que comer , onde dormir, em meio a chuva e o sol, daqueles que vivem baseados no hoje, sem expectativa de vida.

Resolver o problema é o desafio dos governos. Porém, não é tão simples assim. São diversos fatores que determinam a condição social da maioria dessa população, e para isso é necessário criar táticas para diminuir esse número elevado de moradores de rua, lhes dando uma melhor qualidade de vida,moradia,emprego , para só assim conviverem dignamente junto à sociedade. 



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Perfil dos moradores de rua em Salvador



Iniciando os trabalhos do nosso blog, vamos procurar entender um pouco sobre a realidade do tema que aqui abordaremos. A miséria é um fato social que assombra quase todas as sociedades, sendo possível dizer que em qualquer país do mundo você pode encontrar um indivíduo pobre. A palavra pobreza pode nos levar a diversas direções: Pobreza pode ser a falta dos itens básicos de sobrevivência humana ( alimento, roupa, moradia, saúde) , pode ser também a falta de recursos econômicos, carência de rendimento financeiro ou por ultimo, a carência social, falta de acesso a educação e informação. 


Iremos falar sobre os moradores de rua," A visão de quem vive a margem " foi escolhido como nome do blog pois procuraremos mostrar o outro lado da moeda: como que eles nos veem, já que a forma que os veem é quase generalizada.Um morador de rua quase sempre se enquadra em todas as características do estado de pobreza: Essas características vão afastando e marginalizando esses indivíduos da sociedade e os levam a uma situação de exclusão social e formação de grupos minoritários como os sem abrigo.


Dentro do universo de Miséria - Moradores de rua , escolhemos como recorte: Os moradores de rua da cidade de Salvador.

Conforme pesquisa realizada  pela Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps*), Salvador abriga 3,5 mil moradores de rua. 75% dessas pessoas são do sexo masculino, com idade entre 25 e 44 anos. 40% não concluiu o ensino fundamental e 50% se declara negros, 30%  pardos e 20% brancos. 
Ainda de acordo com a pesquisa, o alcoolismo/uso de drogas (15%), o desemprego (10%) e conflitos familiares (15%) são os principais motivos que levam as pessoas a viverem nas ruas.

ALMEIDA, Luana. Cidade baixa abriga maior população de rua de Salvador. Disponível em:<http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/materias/1505443-cidade-baixa-abriga-maior-populacao-de-rua-de-salvador>. Acesso em out./2013

Procurar entender "os porquês" de se encontrarem nesta situação e o que eles pensam disso é o objetivo do nosso blog.